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Tipos de Esteriliza√ß√£o e sua Import√Ęncia

  • esteriliza√ß√£o

Para se evitar a contamina√ß√£o em procedimentos cir√ļrgicos, em alguns outros procedimentos m√©dicos e em an√°lises laboratoriais √© necess√°rio que se utilize, instrumentos, produtos, roupas e equipamentos est√©reis, ou seja, livres de qualquer forma de vida microbiana que possa interferir nos resultados de um diagn√≥stico.

Dizemos que o processo de esterilização foi eficaz quando a probabilidade de sobrevivência dos micro-organismos for menor do que 1:1.000.000.

Resistência dos micro-organismos

Os micro-organismos possuem diferentes graus de resistência a germicidas químicos.

Os v√≠rus lip√≠dicos ou de tamanho m√©dio e as bact√©rias vegetativas s√£o os mais sens√≠veis, sendo eliminados at√© com desinfec√ß√Ķes de n√≠veis baixos. Os fungos, alguns v√≠rus n√£o lip√≠dicos ou pequenos v√≠rus (ex.: HIV, v√≠rus da hepatite B e v√≠rus do herpes simples) e as micobact√©rias (g√™nero que inclui as bact√©rias da tuberculose e da hansen√≠ase) s√£o considerados micro-organismos de resist√™ncia intermedi√°ria e s√£o eliminados por desinfec√ß√Ķes de n√≠veis m√©dio e alto. Por fim, os pr√≠ons (part√≠culas infecciosas proteicas com aus√™ncia de √°cidos nucleicos) e os esporos bacterianos s√£o os mais resistentes, necessitando de esteriliza√ß√£o para sua elimina√ß√£o.

Processo de Esterilização

Existem várias formas de realizar a esterilização. Porém, a decisão de qual processo utilizar deve ser baseada no tipo de material e no risco de contaminação.

Cada estabelecimento deve verificar qual método é o mais adequado para cada procedimento (desinfecção de nível baixo, médio ou alto, ou esterilização), de acordo com o seu produto, garantindo a eliminação da maior quantidade de micro-organismos.

Os métodos de esterilização podem ser divididos em físicos (calor, filtração e radiação) e químicos (compostos fenólicos, clorexidina, halogênios, álcoois, peróxidos, óxido de etileno, formaldeído, glutaraldeído e ácido peracético). Para a escolha do melhor método, deve-se levar em consideração, além da compatibilidade do material, a efetividade, toxicidade, facilidade de uso, custos, entre outros.

Métodos físicos de esterilização

  • Calor √ļmido (autoclavagem, fervura e pasteuriza√ß√£o): provoca a desnatura√ß√£o e coagula√ß√£o das prote√≠nas e fluidifica√ß√£o dos lip√≠deos. N√£o pode ser utilizado em materiais termossens√≠veis, nem para materiais que oxidam com √°gua. A autoclavagem √© muito utilizada nos v√°rios setores de servi√ßos da sa√ļde por ser de custo acess√≠vel e de f√°cil utiliza√ß√£o. Al√©m disso, consegue esterilizar uma infinidade de materiais, inclusive tecidos e solu√ß√Ķes.
  • Calor seco (estufa, flambagem e incinera√ß√£o): provoca a oxida√ß√£o dos constituintes celulares org√Ęnicos. Penetra nas subst√Ęncias de uma forma mais lenta que o calor √ļmido e por isso exige temperaturas mais elevadas e tempos mais longos. N√£o pode ser utilizado para materiais termossens√≠veis.
  • Filtra√ß√£o: utilizada para solu√ß√Ķes e gases termol√°beis, quando atravessam superf√≠cies filtrantes com poros bem pequenos, como velas porosas, discos de amianto, filtros de vidro poroso, de celulose, e filtros ‚Äúmillipore‚ÄĚ (membranas de acetato de celulose ou de policarbonato).
  • Radia√ß√£o ionizante: destr√≥i o DNA formando radicais super-reativos (super√≥xidos), matando ou inativando os micro-organismos (quando s√£o incapazes de se reproduzir). Muitos materiais s√£o compat√≠veis com esse tipo de esteriliza√ß√£o, pois n√£o h√° aumento da temperatura nesse processo. Caso dos materiais termossens√≠veis e tecidos biol√≥gicos para transplantes. Apesar de parecer, a radia√ß√£o n√£o √© transmitida para os produtos processados. √Č um processo livre de res√≠duos e ecol√≥gico, pois n√£o gera emiss√Ķes t√≥xicas ou res√≠duos, al√©m de n√£o causar impactos na qualidade do ar ou da √°gua.
  • Destacaremos dois tipos delas:
    • Radia√ß√£o Gama: a energia √© gerada por fontes de Cobalto 60. Esse processo tem alto poder de penetra√ß√£o, permitindo que os produtos sejam esterilizados j√° na embalagem final, sem necessidade de manipula√ß√£o.
    • E-beam (feixe de el√©trons): utilizado preferencialmente para o processamento de produtos de alto volume/baixa densidade, como seringas m√©dicas, ou produtos de baixo volume/alto valor, como dispositivos cardiotor√°cicos. Al√©m disso, pode ser utilizado para produtos biol√≥gicos e tecidos. Podem ser esterilizados na embalagem final, pois a radia√ß√£o E-beam tamb√©m possui alto poder de penetra√ß√£o. A grande vantagem desse tipo de radioesteriliza√ß√£o √© que necessita menor tempo de exposi√ß√£o, evitando rompimentos e efeitos de envelhecimento a longo prazo que podem acontecer com polipropileno quando submetido √† radia√ß√£o prolongada.
  • Radia√ß√£o n√£o-ionizante (luz UV): altera a replica√ß√£o do DNA no momento da reprodu√ß√£o. Muito utilizado em l√Ęmpadas germicidas encontradas em centros cir√ļrgicos, enfermarias, ber√ß√°rios, capelas de fluxo laminar. Tem como desvantagens: baixo poder de penetra√ß√£o e efeitos delet√©rios sobre a pele e olhos, causando queimaduras graves.

Métodos químicos de esterilização

Dentre os métodos químicos, alguns deles podem ser utilizados tanto para desinfectar como para esterilizar, dependendo do tempo de exposição e concentração do agente.

Os mais utilizados para produtos laboratoriais e hospitalares s√£o:

  • √Ācido Perac√©tico: tem a√ß√£o r√°pida, baixa toxicidade e √© biodegrad√°vel. Por√©m, danifica metais. Uma grande vantagem √© ser efetivo mesmo na presen√ßa de mat√©ria org√Ęnica (ou seja, os materiais n√£o precisam ser previamente limpos). Em compensa√ß√£o, os materiais devem ser utilizados imediatamente ap√≥s a esteriliza√ß√£o por esse m√©todo, por isso n√£o √© muito utilizado.
  • Per√≥xido de hidrog√™nio (√°gua oxigenada): em concentra√ß√£o de 3% e 6% tem a√ß√£o r√°pida, √© biodegrad√°vel e at√≥xico, mas tem alta a√ß√£o corrosiva. Sua a√ß√£o √© mais eficaz em capilares hemodializadores e lentes de contato, mas esse processo n√£o √© muito utilizado.
  • Formalde√≠do: pode ser utilizado na forma gasosa e l√≠quida e, para ter a√ß√£o esporicida, necessita de um longo tempo de exposi√ß√£o. √Č indicado para cateteres, drenos e tubos, laparosc√≥pios, artrosc√≥pios e ventrilosc√≥pios, enxertos de acr√≠lico. Por ser carcinog√™nico e irritante das mucosas, seu uso est√° mais restrito.
  • Glutaralde√≠do: l√≠quido com potente a√ß√£o biocida e pode ser utilizado em materiais termossens√≠veis, mas necessita de um longo tempo de exposi√ß√£o para ser esporicida. √Č muito utilizado por ter baixo custo e baixo poder corrosivo, por√©m √© irritante das vias a√©reas; pode causar queimaduras na pele, membrana e mucosas; e materiais porosos podem reter o produto. Enxertos de acr√≠lico, cateteres, drenos e tubos de poliestireno s√£o os materiais rotineiramente esterilizados por esse processo.
  • √ďxido de Etileno (ETO): √© um g√°s vastamente utilizado na esteriliza√ß√£o de materiais laboratoriais e hospitalares de uso √ļnico por causa do seu bom custo/benef√≠cio. Sua a√ß√£o se d√° pela rea√ß√£o com uma prote√≠na no n√ļcleo da c√©lula, impedindo a reprodu√ß√£o. Todos os produtos devem ser colocados em embalagens perme√°veis a gases para permitir que o ETO penetre. Seu uso n√£o danifica os materiais e pode ser utilizado em v√°rios tipos de materiais, inclusive os termossens√≠veis. Contudo, ele √© altamente t√≥xico, carcinog√™nico e teratog√™nico.

Validação dos processos de esterilização

Indicadores qu√≠micos e biol√≥gicos servem para verificar se o processo de esteriliza√ß√£o est√° validado. Os indicadores qu√≠micos incluem o teste de Bowie e Dick, que testa a efic√°cia do v√°cuo na autoclave. Existem os indicadores colocados dentro do pacote, que avalia a penetra√ß√£o do agente esterilizante; e as fitas termocr√īmicas, que s√£o colocados na parte externa dos pacotes e ficam listradas ap√≥s a esteriliza√ß√£o por calor.

O uso da fita é recomendado em todos os pacotes ou caixas, uma vez que indicam pelo menos se o material passou pelo processo.

Entretanto, os indicadores biol√≥gicos s√£o os mais seguros com rela√ß√£o √† qualidade da esteriliza√ß√£o. Podem ser tiras impregnadas com esporos ou suspens√Ķes-padr√£o de esporos bacterianos, que s√£o submetidos √† esteriliza√ß√£o juntamente com os materiais a serem processados em autoclaves, estufas e c√Ęmaras de irradia√ß√£o. Terminado o ciclo de esteriliza√ß√£o, os indicadores s√£o colocados em meios de cultura adequados para verifica√ß√£o do desenvolvimento destes esporos. Se n√£o houver crescimento, significa que o processo de esteriliza√ß√£o est√° validado.

Atualmente, existem também as tiras de esporos com meio de cultura e ampolas contendo bacilos e meio de cultura líquido (autocontido), que também devem ser processados juntos com o material a ser analisado, para posterior análise após finalizado o ciclo.

Produtos relacionados


Fonte:

  1. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_gerais_central_esterilizacao_p1.pdf
  2. https://pt.sterigenics.com/technologies/electron-beam/https://aps.bvs.br/aps/quais-as-diretrizes-basicas-de-esterilizacao-e-desinfeccao-de-artigos-clinicos-e-medico-hospitalares/
  3. http://www.hospvirt.org.br/enfermagem/port/testes.html
  4. https://www.ipen.br/portal_por/portal/interna.php?secao_id=741&campo=840
  5. http://boaspraticasnet.com.br/irradiacao-por-raios-gama-e-alternativa-eficiente-para-esterilizacao/
  6. https://oxetilfgf.com.br/blog/9-tipos-de-esterilizacao-de-materiais-qual-e-o-mais-seguro/
  7. http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/manuais/biosseguranca/manual_biosseguranca-servicos_saude.pdf